EDIÇÃO 22

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DE ONDE VEM A EXPRESSÃO: “BRASIL, PAÍS DO FUTURO”?


No final de março, o presidente norteamericano Barack Obama deu uma passadinha no Brasil e reiterou em seu discurso no Theatro Municipal no Rio de Janeiro: “O Brasil não é mais o país do futuro. Esse dia finalmente chegou. As pessoas do Brasil precisam saber que esse futuro é hoje.” OK, como se diz em ianque, o Brasil melhorou um bocado nas últimas duas décadas, mas será que já podemos ser classificados como uma realidade com mais prós do que contras?

 

Não posso negar que Obama seja um cara “bem humorado”, mas enfim ele é um político e um dos melhores, mas também me dá arrepios quando vi o séquito e o circo que se armaram para a sua segurança. Sei que ele precisa de proteção, pois quem tem tanto poder quanto ele, precisa se proteger, há muita inveja, muitos inimigos, muita falsidade, porém quando vi na TV, Obama e família admirando o Cristo Redentor e exigindo que os jornalistas se afastassem, - o que é bastante concebível -, não pude deixar de me lembrar de Hitler ao adentrar a França invadida  e admirá-la como sua.


“Brasil, país do futuro”.

 

 


Essa expressão nasceu de um livro do escritor judeu austríaco chamado Stefan Zweig que fugiu do nazismo de Hitler para viver no paraíso perdido da América do Sul. Zweig nasceu a 28 de novembro de 1881 em Viena. Estudou Filosofia e começou a escrever poesias, dramas e traduziu inúmeras obras francesas para o alemão. Pacifista, sonhava com uma Europa unida. A primeira guerra mundial o desanimou. Iniciou escrevendo pequenas histórias que o tornaram famoso. Sua origem judaica o obrigou a abandonar a Áustria. Problemas de consciência, somados à angústia devido à guerra, levou-o ao suicídio em Petrópolis, em 22 de janeiro de 1942. Stefan Zweig escreveu esse famoso livro como o nome “Brasil, país do futuro” em plena era Vargas (de Getúlio), que o abandonou já que ele também não buscou as benesses do sistema.


“Brasil, país do futuro” além de ser um tratado é, ao mesmo tempo, um livro didático sobre a História do Brasil e os brasileiros. Lê-lo é fascinante até hoje.

 

O escritor Nélson Jahr Garcia [12-10-1947 / 06-11-2002] esclareceu os pormenores em um prefácio do livro: “As percepções sobre a realidade brasileira em nada se assemelha à de inúmeros viajantes estrangeiros que se limitaram a conhecer nosso país através de vista aérea, ou por detrás dos vidros de automóveis confortáveis. Stefan Zweig viu de perto, subiu morros das favelas cariocas, participou de festas na Bahia (foi para o Estado sem ajuda de custos) e Recife, andou por São Paulo. O livro é perfeito no que retrata o que o Brasil havia sido e era, mas precário em relação ao que seria. Mania de europeus, principalmente os de origem semita: prever errado. Marx previu revoluções na Inglaterra e Alemanha, que ocorreram na Rússia, China, Cuba, contrário do previsto. Stefan Zweig previu evolução tecnológica, fim das favelas, tudo diferente.  Zweig colocou os óculos vermelhos de Kant (ler matéria sobre o filósofo nesta edição de O Martelo) e viu um Brasil róseo, viu beleza na miséria, riqueza no triste, alegria na dor.  O único defeito da obra: eurocentrismo: ver o mundo a partir do padrão europeu. Os rios sinuosos são vistos como um problema, face ao traçado retilíneo dos rios da Europa. Montanhas, planícies, praias, mangues são considerados comparativamente a uma realidade que não é nossa. Foi essa mania que fez da África o único continente do mundo a ter fronteiras definidas por réguas; separaram tribos, ignoraram os limites geograficamente naturais e criaram problemas que não se sabe serão resolvidos algum dia. Ressalvada essa pequena restrição, o livro é ótimo. Não é uma historiazinha do Brasil recitando nomes e datas sem significado, há explicações econômicas, políticas, sociais e culturais que esclarecem nossa razão de ser. É o livro que sempre quis ler, li, li novamente e vou continuar a reler.”


Trechos sobre o Brasil de ontem e de hoje. Será o mesmo Brasil? Com o leitor, a resposta.

 

 “Minha chegada ao Rio me causou uma das mais fortes impressões de minha vida. Fiquei fascinado e, ao mesmo tempo, comovido, pois se me deparou não só uma das mais magníficas paisagens do mundo, nesta combinação sem igual de mar e montanha, cidade e natureza tropical, mas também uma espécie inteiramente nova de civilização. Aqui havia, inteiramente contra a minha expectativa, um aspecto absolutamente próprio, com ordem e perfeição na arquitetura, e no traçado da cidade, aqui havia arrojo e grandiosidade em todas as coisas novas e, ao mesmo tempo, uma civilização antiga ainda conservada de modo muito feliz, graças à distância. Aqui havia colorido e movimento; os olhos não se cansavam de olhar e, para onde quer que os dirigisse, sentia-me feliz. Apoderou-se de mim uma ebriedade de beleza e de gozo que excitava os sentidos, estimulava os nervos, dilatava o coração e, por mais que eu visse, ainda queria ver mais”.

 

 

 

“Não vi uma série de Estados, dos quais cada um é tão grande como a Alemanha e a França ou maior do que elas, não percorri as regiões de Mato Grosso e Goiás, que mesmo as expedições científicas não percorrem inteiramente, nem as florestas do Amazonas. Não tenho, pois, um conhecimento perfeito da vida primitiva dessas povoações espalhadas por um território gigantesco e não posso dar uma noção clara da existência de todas essas classes que apenas têm contacto com a civilização: a dos barqueiros que navegam nos rios, a dos caboclos da região do Amazonas, a dos garimpeiros, a dos vaqueiros e gaúchos, a dos seringueiros e a dos sertanejos de Minas Gerais. Não visitei as colônias alemãs de Santa Catarina, cujas casas antigas, diz-se, têm pendurado o retrato do imperador Guilherme e cujas casa, novas, ao contrário, têm o retrato de Adolf Hitler, nem as colônias japonesas do interior de São Paulo, e não posso dizer com segurança a ninguém se realmente ainda algumas tribos indígenas das matas virgens são canibais”.

 

 

 

 

“Não me é possível expender conclusões definitivas, predições e profecias sobre o futuro econômico, financeiro e político do Brasil. Os problemas do Brasil relativos à economia, à sociologia e à civilização são tão novos, tão especiais e, sobretudo, dispostos de modo tão indistinto, em consequência da vastidão do país, que cada um deles exigiria um grupo de especialistas para esclarecê-lo inteiramente. É impossível ter uma noção completa dum país que ainda não tem uma vista de conjunto completa de si próprio e se acha em crescimento tão rápido que toda estatística e todo relatório já estão atrasados quando impressos. Do grande número de aspectos quero salientar principalmente um que me parece o de maior atualidade e coloca hoje o Brasil numa posição especial entre todas as nações do mundo no que respeita ao espírito e à moral”.

 

“O Brasil, pela sua estrutura etnológica, se tivesse aceito o delírio europeu de nacionalidades e de raças, seria o país mais desunido, menos pacífico e mais intranquilo do mundo. Nele ainda são nitidamente reconhecíveis, já nas ruas, as diversas raças e sub-raças, de que é constituída a sua população. Aqui vivem os descendentes dos portugueses que conquistaram e colonizaram o Brasil, aqui vive a descendência aborígene dos que habitam o interior do país desde épocas imemoráveis, aqui vivem milhões provindos dos negros que nos tempos da escravatura foram trazidos da África, e milhões de estrangeiros, portugueses, italianos, alemães e até japoneses. Segundo o modo de pensar europeu, seria de esperar que cada, um desses grupos assumisse atitude hostil contra os outros, os que haviam chegado primeiro contra os que chegaram mais tarde, os brancos contra os negros, os brasileiros contra os europeus, os de cor branca, parda ou vermelha, contra os da raça amarela, e que as maiorias e as minorias em luta constante pelos seus direitos e prerrogativas se hostilizassem. Com a maior admiração verifica-se que todas essas raças, que já pela cor evidentemente se distinguem umas das outras, vivem em perfeito acordo entre si e, apesar de sua origem diferente, porfiam apenas no empenho de anular as diversidades de outrora, a fim de o mais depressa e o mais completamente se tornarem brasileiras, constituindo nação nova e homogênea. Da maneira mais simples o Brasil tornou absurdo — e a importância desse experimento parece-me modelar — o problema racial que perturba o mundo europeu, ignorando simplesmente o presumido valor de tal problema”.

 

 “Ao passo que entre nós (europeus), cada nação inventou uma palavra de ódio ou de motejo para aplicar à outra, como sejam, “Katzelmacher”, ou “Boche”, o vocabulário brasileiro absolutamente não encerra um termo depreciativo para o preto ou para o crioulo, pois quem poderia, quem quereria aqui jactar-se de ser de presumida raça pura? Se a afirmativa de Gobineau, de haver encontrado em todo o Brasil apenas um indivíduo de raça pura, o imperador D. Pedro II, pode ser exagero, o legítimo, o verdadeiro brasileiro tem certeza de ter no seu sangue algumas gotas de sangue indígena. Mas — coisa apreciável não se envergonha disso, bem pelo contrário. A mescla, suposta destrutiva, esse horror, esse “pecado contra o sangue” na opinião dos nossos endemoninhados teóricos de raças, é aqui meio de união de uma civilização nacional, conscientemente utilizado”.

 

 

“Sem dúvida, há aqui menos intensidade na maneira de viver. Os seus habitantes, sob a influência imperceptivelmente depressiva do clima, desenvolvem menos força impulsiva, menos veemência, menos dinamismo, portanto desenvolvem menos, precisamente as qualidades que hoje em dia, numa superestimação trágica, se apregoam como os valores morais dum povo. Mas nós que experimentamos na nossa própria sorte as terríveis conseqüências dessas exaltações psíquicas, dessa avidez e ganância de poder, sentimos que essa forma mais suave e mais serena da vida é um benefício e uma felicidade. Nesse sentido — o mais importante, segundo a minha opinião — o Brasil parece-me um dos países mais modelares e, por isso, uns dos mais dignos de estima. É um país que odeia a guerra e, ainda mais, que quase não a conhece. Há mais de um século, com exceção da guerra do Paraguai, que foi insensatamente provocada por um ditador que perdera a razão, o Brasil tem resolvido todas as questões de limites com seus vizinhos por meio de acordos e arbitragens internacionais. O seu orgulho e os seus heróis não são apenas guerreiros, mas estadistas, como Rio Branco e Caxias, que com prudência e firmeza souberam evitar e acabar guerras. O Brasil, cujo idioma se limita ao seu território, não tem desejos de conquistar territórios, não possui tendências imperialistas. Nenhum vizinho pode exigir dele alguma coisa e ele nada exige de seus vizinhos. Nunca a paz do mundo foi ameaçada por sua política, e, mesmo numa época de incertezas como a atual, não é possível imaginar que o princípio básico de sua idéia nacional, esse desejo de entendimento e de acordo, se possa jamais alterar. Esse desejo de conciliação, essa atitude humanitária, não tem sido o sentimento casual dos diferentes chefes e dirigentes do país; é o produto natural dum predicado do povo, da tolerância natural do brasileiro, a qual no curso da sua história sempre se confirmou. O Brasil é uma nação em que não existiram perseguições religiosas sangrentas, nem fogueiras de inquisição. Em nenhum outro país os escravos foram tratados elativamente com mais humanidade. Mesmo suas revoluções interiores e mudanças de regime se efetuaram quase sem derramamento de sangue. Os dois imperadores, que a vontade do Brasil de se tornar independente fez deixarem o país, dele se retiraram sem sofrer vexames e, por isso, sem ódio”.

 

“É sempre perigoso lançar do presente um olhar para o futuro. Com seus cinqüenta milhões de habitantes, seu imenso território e uma das mais grandiosas atividades colonizadoras da humanidade, o Brasil está hoje apenas ainda no começo de seu desenvolvimento. As dificuldades que se opõem a seu desenvolvimento definitivo, ainda absolutamente não estão vencidas, e, apesar de intenso trabalho, algumas delas ainda são consideráveis: a tuberculose e a malária”.

 

“Já não se encontra um brasileiro e raramente se encontra um imigrante que deseje voltar para o Velho Mundo, e essa ambição de se desenvolver por si só e de acordo com a época revela-se por um otimismo e um ousado espírito empreendedor inteiramente novos — O Brasil aprendeu a pensar de acordo com as dimensões do porvir. Quando constrói um ministério, como agora o Ministério do Trabalho e o da Guerra, o constrói maior do que os de Paris, de Londres ou de Berlim. Quando se planeja uma cidade, conta-se desde logo com o quíntuplo, o décuplo da população. Nada é demasiado ousado, nada demasiado novo para fazer com que essa vontade nova não se atreva a realizá-lo. Após longos anos de incerteza e de modéstia, este país aprendeu a pensar de acordo com as dimensões de sua própria vastidão e a contar com suas possibilidades ilimitadas como se elas fossem uma realidade em breve atingível. O Brasil reconheceu que espaço é força e gera forças, que não são o ouro nem o capital poupado que constituem a riqueza dum país, mas sim o solo e o trabalho que neste é realizado. Mas que país possui mais solo não utilizado, inabitado e não aproveitado do que este, cujo território é tão grande como todo o Velho Mundo? E espaço não é simples matéria, espaço é também força psíquica. Alarga a visão e dilata a alma, dá ao homem que o habita e que ele circunda, coragem e confiança para que ouse avançar; onde há espaço há não só tempo, mas também futuro. E quem vive neste país, ouve o sussurro forte das asas céleres do futuro”.

 

 

 

“O brasileiro apenas fala o português de moda diferente do que o faz o lusitano, fala-o mais brasileiramente do que este, e nisso está toda a diferença; o mais curioso é que esse sotaque brasileiro permaneceu o mesmo, do norte ao sul, do leste ao oeste, num território de oito milhões e quinhentos mil quilômetros quadrados. O que no ponto de vista físico e psíquico caracteriza o brasileiro é sobretudo ser ele de compleição mais delicada do que a do europeu e a do norteamericano. O tipo corpulento, volumoso, alto, ossudo, falta quase inteiramente entre os brasileiros. Igualmente falta neles toda brutalidade, violência e veemência, tudo o que é grosseiro, presunçoso e arrogante. O brasileiro é um indivíduo calmo, pensativo. e sentimental, às vezes até com um ligeiro laivo de melancolia, a qual já Anchieta em 1585 e o Padre Cardim julgaram sentir na atmosfera, quando qualificaram esta nova terra de “desleixada e remissa e algo melancólica””.

 

 

 

“Jamais se ouviu falar aqui de crueldade para com animais, jamais houve aqui autos da fé da Inquisição. Tudo o que é brutal repugna ao brasileiro, e está verificado por estatística que o assassínio aqui quase nunca é praticado com premeditação, é quase sempre espontâneo, é um crime passional, é o resultado de uma explosão súbita de ciúme ou do sentimento de haver sido ofendido. Crimes ligados a astúcia, cálculo, rapacidade e perversidade são muito raros. Quando um brasileiro puxa da faca, está, por assim dizer, num estado de exaltação nervosa; quando visitei a Penitenciária de São Paulo notei que ali absolutamente não havia o verdadeiro tipo do criminoso, perfeitamente caracterizado pela criminologia. Os sentenciados que ali se achavam, eram indivíduos absolutamente pacíficos, de olhar terno, indivíduos que num momento qualquer de superexcitação haviam sido levados a fazer qualquer coisa, da qual mesmo não tinham noção. Mas em geral — e isto é confirmado por todo imigrado — ao brasileiro é alheio tudo o que é violência, brutalidade e sadismo, mesmo nos mais imperceptíveis traços. O brasileiro é de boa índole e de boa fé e o povo possui aquele traço de confiança e cordialidade que muitas vezes é próprio dos meridionais da Europa, porém que raramente é tão pronunciado e tão geral quanto aqui”.

 

 

“Nunca percebemos algo de separação entre as diversas raças, nem em adultos nem em crianças. A criança preta brinca com a branca, o mulato anda muito naturalmente de braço dado com o negro, em parte alguma há restrição ou sequer “boicotagem” social para as pessoas de cor No serviço militar, nos empregos, nos mercados, nos escritórios, nas casas comerciais, nas oficinas de trabalho, os indivíduos não pensam em se separar de acordo com a cor e a origem, e trabalham pacífica e amistosamente juntos. Japoneses casam com pretas, e pessoas brancas com pessoas mulatas; a palavra “mestiço” não é aqui um insulto, não encerra em si um menosprezo. O ódio entre as classes e o ódio entre as raças, essas plantas venenosas da Europa, ainda não criaram raízes aqui. Essa extraordinária delicadeza de sentimentos, essa ausência de preconceitos, essa boa fé, essa boa índole e essa incapacidade de ser brutal do brasileiro acompanham-se duma sensibilidade muito grande e talvez excessiva. Não só muito sentimental, mas também sensível, todo brasileiro possui um sentimento de honra muito suscetível e todo especial. Precisamente porque é tão cortês e modesto, toma logo a mais involuntária descortesia por um menosprezo. Não é que ele reaja violentamente como um espanhol, um italiano ou um inglês; por assim dizer, guarda a suposta ofensa. Não é da índole do brasileiro justificar-se ou exigir justificação, queixar-se ou mostrar-se zangado e entrar em explicações. Ele só se retrai; é a sua defesa natural, e esse amuo calmo e mudo encontramos aqui por toda parte. Ninguém repetirá um convite que não haja sido aceito mesmo da maneira mais cortês; nenhum vendedor numa casa comercial procura persuadir o freguês, se este hesita na compra, e esse orgulho oculto, essa suscetibilidade do sentimento de honra chega até as camadas sociais mais baixas. Ao passo que nas mais ricas cidades do mundo, em Londres e Paris, e mesmo nos países meridionais da Europa, por toda parte, se encontram mendigos, quase não existem eles neste país, onde a “pobreza nua” muitas vezes quase já não é mais uma expressão de exagero, e essa raridade de mendigos é a conseqüência não dum enérgico decreto, mas sim da hipertrofia da sensibilidade de todo o povo, a qual toma por ofensa mesmo a mais cortês recusa. Quer parecer-me que essa delicadeza do sentimento é talvez a qualidade mais característica do povo brasileiro. Os indivíduos não necessitam aqui de expansões veementes e violentas, de êxitos visíveis e aproveitáveis para estarem satisfeitos”.

 

 

“Algumas das coisas singulares, que tornam o Rio tão colorido e pitoresco, já se acham ameaçadas de desaparecer. Sobretudo as “favelas”, as zonas pobres. em plena cidade, será que ainda as veremos daqui a alguns anos? Os brasileiros não gostam de falar dessas “favelas”; no ponto de vista social e no ponto de vista higiênico, constituem elas um atraso, numa cidade muito limpa e que, por um serviço modelar de higiene, em alguns anos se libertou inteiramente da febre amarela, que outrora nela era endêmica. Mas as “favelas” apresentam um colorido especial no meio dessa figura caleidoscópica, e ao menos umas dessas. estrelinhas do mosaico deveria ser conservada no quadro da cidade, porque elas representam um fragmento da natureza humana primitiva no meio da civilização”.

 

 

 

 

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