EDIÇÃO 22

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UNDERWORLDDoobie Brothers JOHN COLTRANECOUNT BASIEMusic for Airports / In the OceanPROGRESSIVE ROCK TRILOGYYESIGGY POP AND THE STOOGESTHIEVERY CORPORATION SID! Frank ZappaDi´AnnoVelvet RevolverBee GeesPhil CollinsMichael McDonaldINXSHeaven & HellTwisted SisterEdgar and Johnny WinterRory Gallagher - Willie Nelson

 

 

CD UNDERWORLD – Barking - Music Brokers

 

 

Os ingleses Karl Hyde e Rick Smith do Underworld compõem trilhas sonoras e lançaram sete álbuns em 23 anos (!), o primeiro deles em 1988 (Underneath The Radar ), mas até hoje muitos conhecem apenas a faixa “Born Slippy” (Let your feelings slip boy, but never your mask boy) do filme Trainspotting, aquele mesmo com Ewan McGregor pagando de junk.
A crítica pegou no pé do duo, após a saída de Darren Emerson em 2000, que colaborou – definitivamente – para ótimos trabalhos como Dubnobasswithmyheadman de 93, Second Toughest in the Infants de 96 e Beaucoup Fish de 99. Em 2002, A Hundred Days Off e Oblivion with Bells de 2007 recuperaram o prestígio após a citada saída de Emerson, e desde essa retomada, três anos se passassam até este CD atual. Mas e aí, como ficamos? Após o silêncio, a dupla lança Barking, o oitavo álbum, para mostrar que não perdeu a mão (ou a mão na pick-up) e munido de auxílios humanos (O prog-trance Paul Van Dyk; Mark Knight & D. Ramirez; o produtor de drum 'n’ bass High Contrast; o DJ e produtor Iraniano- Americano Dubfire e a fundadora do Skull disco, Laurie Osborne) o Underworld retorna contemporâneo e sofisticado, sem abrir mão da sua sonoridade “clássica”. Som noventista? Esse pequeno detalhe, uma "certa" sonoridade datada, causa alguma polêmica, mas o que fazer após três anos de exílio? Manter-se fiel a você mesmo ou às vontades populares? (Ou aos desejos do underground, sectarista, tanto faz.) Eles preferiram seguir adiante com seu pop eletrônico mesmo, ao somar e fundir techno, drum and bass, baladas e dance europeu com sintetizadores, sempre com um pé no passado.

Simplesmente, a imprensa musical - a antenada - age como o público modista que tanto critica: se preocupa com a forma e despreza o conteúdo. Parecem só querer saber se a banda ou o trabalho é hypado ou não, que coisa...
Essa mentalidade - up to date - destrói não só a música, mas a alma das pessoas. Barking late bem. E alto. É o que me importa. Gostei de Scribble, dona de muita melodia e com todo aquele climão de “passado” (olhe lá que passado... anos 90!) uma canção certamente movida à anfetaminas e ecstasy, essas coisas. As 9 faixas são apaixonantes e inebriantes (e olha que sou de “careta”!), entre elas Hamburg Hotel, uma composição industrial na linha do Kraftwerk; Always Loved a Film ; Grace, que é puro synth; a melancólica e lindíssima balada de piano Lousiana (a única sem participações); a sexy e envolvente Moon In Water e o house and roll batidão Diamond Jigsaw, ótimas.


P * L * U * R * U - Peace~Love~Unity~Respect~Under­world

 

 

 

CD Doobie Brothers – World Gone Crazy – com DVD bônus (documentário mais video) – ST2

 

Os Doobies podem se considerar salvos após a feitura desse pequeno grande álbum após uma década de silêncio (o último trabalho da banda foi Sibling Rivalry). Será que o “mundo enlouqueceu” mesmo? Pergunto isso porque este é um discão, sem tirar nem por! Os guitarristas Tom Johnston e Pat Simmons uniram forças ao também veterano produtor Ted Templeman (Van Halen, Carly Simon e Eric Clapton) que trabalhou com eles nos antigos clássicos incluindo a fabulosa canção "Listen To The Music" nos anos 70 para fazer um álbum á altura de todos os discos setentistas do
grupo. Parece conversa fiada? Pode ser, mas não é. É a mais pura verdade: discão. Todos os velhos e ótimos ingredientes estão no ponto para esta deliciosa refeição: harmonias vocais intrincadas, rock sulista do bom e produção de primeira. A regravação de "Nobody" (do primeiro disco) com uma nova introdução de guitarra graças a Simmons e John McFee é do nível de um clássico como qualquer um do Exile on Main Street dos Rolling Stones e não estou brincando. É papo sério. A voz de Johnston mudou um pouco com o tempo, mas os arranjos a destacam em toda sua nova profundidade. Um dos fundadores dos Doobies, Michael McDonald toca a harmonia e os vocais de fundo para a faixa"Don't Say Goodbye" de Pat Simmons, enquanto o valoroso Willie Nelson canta "I Know We Won" a música que escreveu em parceria com Pat. Essas duas composições são excelentes e provavelmente esse é o melhor trabalho da dupla Johnston e Simmons desde "Stampede" de 1975.

Como se isso fosse pouco, a masterização do CD é excelente, com menos compressão e muito mais dinâmica do que os lançamentos das últimas décadas, muito altos e comprimidaços. O DVD inclui um curto documentário de 31 minutos, co-dirigido por Pat Simmons, com muitas cenas interessantes (também antigas) e entrevistas com Simmons, Johnston, McFee e McDonald (e várias apresentações de TV). Os antigos músicos da banda (Tiran Porter, Jeff "Skunk" Baxter e John Hartman) não dão as caras no filme, pena.

Faixas:
1) A Brighter Day 2) Chateau 3) Nobody 4) World Gone Crazy 5) Far From Home 6) Young Man's Game 7) Don't Say Goodbye (apresentando Michael McDonald) 8) My Baby 9) Old Juarez 10) I Know We Won (apresentando Willie Nelson) 11) Law Dogs 12) Little Prayer 13) New York Dream


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DVD mais CD The World According to JOHN COLTRANE – Masters of American Music – legendas em português - Music Brokers


John Coltrane (1926 – 1967) é o cara, apenas isso. O rei do saxofone teve ídolos, se inspirou em trabalhos de outros grandes artistas, mas como Hendrix, que não criou a guitarra e que era a guitarra, Coltrane era o próprio sax (tenor ou soprano), o maior
dos saxtenoristas. Como o próprio Hendrix, citado aqui, e como todo negro ou trabalhador – foi educado nas igrejas evangélicas, tocou em big bands, até encontrar abrigo no grupo do inquieto
Miles Davis (participou de discos como Cookin', Relaxin', Steamin', Workin', Milestones e Kind of Blue), porém como nem tudo que reluz é ouro, deixou-se viciar em heroína, apesar de ser religioso. Milles teve que demiti-lo e recontratá-lo na metade dos anos 50, e o problema voltava. Em 57, Coltrane gravou pela primeira vez, como líder e três anos depois deixaria Miles de vez. Com McCoy Tyner (piano),Jimmy Garrison (contrabaixo) e Elvin Jones (bateria) desenvolveu um estilo absolutamente próprio, onde predominavam as chamadas “camadas de som”, que se compunham de longas
frases de notas rápidas tocadas em legato. Incorporado, confiante em si logo radicalizou: desconstruiu a harmonia e a melodia chegando quase à atonalidade.entre 60 e 65, em uma banda que mudou a história do jazz, atingindo o ápice com a suíte em quatro movimentos A Love Supreme. Nesse mesmo ano, torna-se quase que o precursor do free jazz ao embarcar no navio da liberdade musical com o baterista Rashied Ali e os saxtenoristas Archie Shepp e Pharoah Sanders. Sua esposa, a pianista Alice Coltrane, também o acompanha nessa fase, tudo em família. O disco Ascension é a cereja do bolo, já bem desvinculado da harmonia tonal. Ele experimentou como Hendrix para se queimar na chama da criação. Religioso, entre 65 e 67, Coltrane impregnou sua arte de misticismo, mas isso não foi suficiente: morreu repentina e prematuramente, em 1967, aos 40 anos, de câncer no fígado.

O documentário O Mundo Segundo John Coltrane celebra o gênio, com a melhor música e o depoimento de amigos, músicos e fãs entre eles Roscoe Mitchell, Rashied Ali, Alice Coltrane, Tommy Flanagan, Jimmy Heath e Wayne Shorter. O filme inclui um extenso material com cenas de performances do músico. Um dos pontos altos é um encontro entre o saxofonista do fascinante grupo Art Ensemble of Chicago, Roscoe Mitchell, e músicos dervixes (monges mulçumanos) no deserto do Saara, em Marrocos, em 1990.

DVD : Opening; John Coltrane´s World Of Sound; Giant Steps; My Favourite Things; Influences And Art Music; Reverend King Alabama e Avant-garde And World Music.
CD : Blue Train; Naima; Spiritual; Impressions e Traeing In.

 

 

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DVD mais CD Swingin´ the Blues COUNT BASIE – Masters of American Music – legendas em português – 56 minutos - Music Brokers

 

Big bands e swing à toda.


Na banda de Count todo mundo podia solar, imagine... e deu certo durante 6 décadas! Além de transpirar suingue como ninguém, outra alcunha o marcou: minimalista, em razão de sua simplicidade ao tocar, liberando espaço para todos participarem, além de
utilizar dois sax tenores, um de cada lado da orquestra, uma considerável mudança na formação das bandas na época. Na verdade, o truque consistia em iniciar a música com poucas notas e deixar com que a orquestra aquecesse a plateia para o retorno do
Conde, que mostrava quem era o rei do suingue ladino. Aí não tinha pra ninguém. Os arranjos não eram totalmente escritos na partitura, apenas uma pequena parte. Na verdade, Count ia encontrando o que queria durante os ensaios e todos memorizavam
os arranjos. Por isso muitos dos músicos entrevistados dizem que o ambiente na orquestra era “familiar”. E o negócio era tão poderoso, que o produtor John Hammond, ao graver a banda em outubro de 36, disse que aquela havia sido “a única sessão de
gravação realmente perfeita que eu havia presenciado”.
Esse apelido “Conde” (Count) tem uma história sui generis: outros mestres da realeza do swing ganharam “títulos” de honraria tais como o rei Benny Goodman, o duque Duke Ellington, o presidente Lester Young e a donzela Billie Holliday.


Count Basie (21 de Agosto de 1904 - 26 de Abril de 1984), pianista de jazz (e blues) e líder de uma fabulosa banda é destrinchado no DVD Swingin the Blues, com várias cenas filmadas a partir da década de 30. O grupo que o acompanhava (Harry Sweets Edison, Earle Warren, Claude Williams e um mais tarde Illinois Jacquet, Buddy Tate e Joe Williams. Entre os anos 50 e 60, Frank Foster, Frank Wess, Thad Jones e Al Grey
abalaram as estruturas) pavimentaram a construção desse grande balanço musical. Cerca de 80 entrevistas – muitas à base de vinho - foram feitas para descrever o início da careira nos anos 20 no bairro do Harlem até os caminhos que levaram a música de Count do bebop até o free jazz. Após uma resenha negativa feita por um jornalista em Nova Iorque no final dos anos 30, Count deu um maior trato nas apresentações ao
tocar mais leve, incluir mais solos e deixar os clássicos para o final do repertório.

 

 A sessão rítmica incomparável de Basie contava com o baixista Walter Page, o guitarista Freddie Green e o baterista Jo Jones, enquanto que seus vocalistas iam da iniciante Billie Holiday (que apesar de cantar, preferiu não gravar em estúdio com ele) até Jimmy Rushing e Big Joe Williams. Com a greve dos músicos entre os anos 1942-44 e a consequente mudança do gosto do público por vocalistas, a partir de 1948, fez com que as outrora big bands diminuíssem de tamanho. Após encerrar as atividades da banda, Count só a refez, agora com 16 músicos, em 1952, mas com menos solos e agora com arranjos escritos na pauta. É, os tempos eram outros, mas ele não deixava cair a peteca nem ao se apresentar com revolucionários como Miles Davis. “Lá na frente podem fazer o que quiserem, mas a banda tem que manter o ritmo, a pegada”, dizia. Com os problemas raciais em casa, Count excursionou pela primeira vez na Europa na metade dos anos 50, reconstruindo a sua fama e dessa vez, também acompanhando artistas como Sarah Vaughan, Erroll Garner, Lester Young, George Shearing e Stan Getz.

 

DVD: The World’s Greatest Swing Band; The King Of Swing; I Could Never Get Tired Of Playing The Blues; Basie Was Just One Of The Guys; Basie’s New Six-Piece Group; Basie Gets His Sound e From New York To The Bahamas. CD: summertime; makin´ woopie; these foolish things; april in paris; the touch of your
lips; shake, rattle & roll; in the morning blues; ain´t misbehavin´; one note samba; lester leaps in; thanks for the ride; lullaby for birdland; i got it band and that ain´t good; jumpin´ at the woodside e one o´clock jump.

 

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DVD BRIAN ENO – Music for Airports / In the Ocean – dirigido por Frank Scheffer – 107 minutos - legendas em alemão e francês - Music Brokers

 


Frank Scheffer é um cineasta holandês nascido em 1956. Brian Eno tocou no Roxy Music, é um pioneiro criador da “música ambiente”, arranjador e compositor, um filósofo ganhador do Grammy. Eno compôs uma obra prima chamada Music for Airports em 78, para descrever em música o irritante ambiente dos aeroportos. A peça
foi escrita após o seu restabelecimento de um acidente de carro ocorrido em 75. O conceito da obra nasceu da incapacidade do autor de andar pelo quarto para abaixar o volume do rádio. As frequências graves que saltavam dos alto falantes misturavam-se
ao som da chuva batendo nas janelas, criando uma atmosfera relaxante. A peça escrita por Eno é descrita por ele como “sendo capaz de acomodar diversas camadas de atenção auditiva sem forçar a supremacia de uma em particular, que deve soar tão
interessante como ignorável”. Desde criança, aparelhos de gravação e músicas – considerada por Eno a mais nobre arte -, fascinavam o menino que ao crescer e se destacar, trabalhou com artistas do porte do U2, Talking Heads, Devo, David Bowie,
Genesis e Philip Glass. Duas décadas depois da criação de Music for Airports, um grupo de inovadores músicos chamado Bang on a Can - fundado em 1987 pelo trio Michael Gordon, o ganhador do Pulitzer David Lang e Julia Wolfe com o objetivo de tocar, criar, gravar e
apresentar música contemporânea - lançou uma versão da obra de Eno através do selo POINT Music de Philip Glass. Arranjado pelo compositor Evan Ziporyn e pelos fundadores do Bang on a Can, este DVD exibe a apresentação da peça ao vivo no Holland Festival, acompanhada pelas imagens (no estilo fora de foco) do aeroporto Schiphol Airport feitas por Frank Scheffer em Amsterdam. O DVD inclui o documentário In the Ocean no qual a cena atual de música erudita é discutida por compositores como Brian Eno, Steve Reich, Louis Andriessen, John Cage e os fundadores do Bang on a Can, todos juntos pela primeira vez discutindo as relações entre composição e meio ambiente, como são as interações e influências de um continente em outro na criação da arte,


 

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CD triplo PROGRESSIVE ROCK TRILOGY – Procol Harum, Yes, Atomic Rooster, Vanilla Fudge, Ian Anderson, Soft Machine, Caravan, Hawkwind, Tangerine Dream, Amon Guru, Can, Banco Del Mutuo Soccorso e outros – Music Brokers.

 

Coletâneas são seres ambivalentes e misteriosos, quando não nos deixam para lá de cabreiros. Mas quem está nos lendo, pode sossegar as ideias, que esse não é o caso.
Apesar de começar o texto brincando com o leitor, em um território de fãs tão sérios, e sisudos como os do estilo progressivo, não desgosto do gênero. Tenho meus favoritos e o compreendo, apesar de não estar no meu top top list. Só para vocês tomarem conhecimento, um dos primeiros discos que comprei na vida foi o estranhíssimo Oxymoron do Guru Guru, imaginem... E simpatizar mesmo com o prog só ocorreu comigo, quando o estilo tomou uma sacudida no início dos 80 quando o Genesis, o ELP e o Yes, o Big 4 que era trio, tipo três mosqueteiros, abandonou a estética setentista e adotou um som mais pop - e mais interessante para mim. Mas após essa fase, o prog, como o metal, o samba, e outros estilos “voltaram às raízes” por questões de sobrevivência, e NÃO artística - não se iludam -, pois o público de hoje, saudosista do que não viveu, opta mais pela música que considera esteticamente melhor, o que necessariamente no mundo do rock, quer dizer: “nenhuma novidade”. Mas se o rock errou, o prog também errou como todos os outros estilos ao se deixarem levar pela
continuidade. O prog pop da década de oitenta não vingou para a geração atual, que pena.. Pena para o estilo, insisto. Pois bem, essa trilogia é composta por três CDs com 15 músicas cada. Entre as faixas
do primeiro, coexistem faixas mais desconhecidas e “clássicos” - melodias reconhecidas há décadas -, como “No mule´s fool” do Family, “Looking around” do Yes e “Catherine Howard” do tecladista Rick Wakeman. O segundo CD “The Canterbury Scene, Space Rock & Krautrock”, apresenta outras formas de se entender o progressivo como o das bandas da cena de Canterbury (Inglaterra) ou de sonoridade similar como o Caravan e o Soft Machine. O Space rock, com longas passagens instrumentais e sintetizadores, tem como maiores expoentes o fabuloso Hawkwind e o Gong; e por fim, ouvimos várias das bandas de “rock chucrute” ou Krautrock como Tangerine Dream e Can. O terceiro álbum “The Italian Scene, Folk Gems & Some Magical Prog Tunes”, como o título pomposo anuncia, nos entrega de bandeja, os progressistas “macarroni” como o ótimo Premiata Fornería Marconi e o Banco Del Mutuo Soccorso, mais exemplos de folk “doideira” como “Orange blossom special” do Fairport Convention e “McAlpine versus The Asmoto” do Principal Edwards Magic Theatre.

 

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DVD Ghost Blues – The Story of Rory Gallagher and the Beat Club Sessions (1971 / 72) – DVD duplo – 179 minutos – legendas em inglês – ST2

 

Muito se pergunta por que Gallagher nunca é lembrado para o panteão dos melhores de sua época juntamente com os queridinhos da imprensa, como Clapton, Page e Beck. Talvez por que ele ainda era um garotinho quando a fama dos antecessores já
era um fato consumado? Respostas existem várias, mas nenhuma nos convence. O DVD duplo “Ghost Blues” é o primeiro e mais completo trabalho documental já feito sobre a carreira do guitarrista irlandês. Rory Gallagher, que agora também é estátua na Irlanda – feita pelo escultor David Annand -, juntamente com o já previamente “inaugurado” e incensado Phil Lynnott do Thin Lizzy. Ambas as homenagens em metal são mais do que oferendas expostas ao céu inclemente, são registros inesquecíveis,
marcas indeléveis de um grande momento da Irlanda, o cinzento país, que ainda vive tutelado pela velha Inglaterra.

O primeiro DVD conta a história de Rory Gallagher até sua morte em 1995 com 47 anos. Entre mil instrumentos – já que o que importa é a sua música – o multi-homem toca de tudo à perfeição da guitarra, passando pelo sax, baixo, bandolim, gaita e até cítara. Dirigido por Ian Thuillier, o filme sobre Gallagher exibe detalhes da sua vida e carreira, entremeada por dificuldades, recontada pelos músicos de sua banda e por pessoas vitais como o seu irmão Donal - e por famosidades como Bob Geldof, Slash, Bill Wyman, The Edge do U2 e o diretor e escritor Cameron Crowe (de Quase Famosos). Em uma entrevista, o próprio guitarrista assume que foi ele quem trouxe o verdadeiro blues americano para a Irlanda”, após estudar à exaustão os velhos discos de Woody
Guthrie, Lead Belly, Chuck Berry, Muddy Waters e Jerry Lee Lewis, mais tarde tendo gravado inclusive com alguns desses artistas. Mas a nata é o mesmo o segundo DVD que compila as exibições do ultra famoso programa alemão Beat Club de maio de 1971 a junho de 1972, remasterizadas e tratadas com a melhor tecnologia. O power trio composto pelo baixista Gerry McAvoy e pelo baterista Wilgar Campbell tocam apenas e somente 16 (!) clássicos de arrepiar, pois quem toca sabe como é difícil tirar água de pedra em um estúdio de televisão, frio como um túmulo e Rory manda ver (como diria o Rei: “manda uma brasa, mora!” ou “vem quente que estou fervendo!”). No encarte consta a lista do equipamento usado nos shows e maiores detalhes. Coisa fina mesmo.

 

 

CD Rory Gallagher – The Beat Club Sessions – ST2

 

Lançado paralelamente ao DVD Ghost Blues, o CD The Beat Club Sessions é a
sequência do CD Ghost Blues, com mais sessões do programa Beat Club (que se prolongou na TV alemã de 65 a 72), um maravilhoso programa de televisão, único no mundo, pois quase tudo do que se conhece hoje da melhor música filmada nos anos 60 e 70 vem desse programa, bem mais do que dos similares americanos ou ingleses. As quatro primeiras faixas deste CD, “Laundromat” “Hands Up” “Sinner Boy” e à intrincada acústica “Just The Smile” foram retiradas de uma apresentação televisiva de maio de 71, músicas do LP de estreia do guitarrista, gravado meses após o término da sua banda anterior, Taste (que tocou no mesmo programa 4 vezes em 2 anos). A apresentação do Beat Club expele energia pelos poros, de pura entrega, paixão suada e de uma sonoridade crua e bela. Seis meses após, em dezembro do mesmo ano, a banda retornou à cidade de Bremen na Alemanha para divulgar o recém gravado LP Deuce. “Should’ve Learnet My Lesson” e “Crest of a Wave” são dessa segunda apresentação, com a entrada da raríssima “Toredown” e do clássico “Messin’ With The Kid” de Junior Wells. Rory e seus asseclas retornaram mais uma vez para
tocarem “I Could’ve Had Religion” e mais três do álbum Deuce (“I Don’t Know Where I’m Going”, “Used To Be” e “In Your Town”). Este CD faz juz à grandeza dos dois primeiros discos solo lançados pelo guitarrista irlandês e são do tipo que acrescentam imortalidade à arte do blueseiro tocado pela “sorte irlandesa”.

   

 

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CD YES – Astral Traveller (1969/1970) – Music Brokers

 

O Yes, a criatura que disse “sim” ao nascente rock progressivo no final dos anos 60, entrou de cara na década seguinte com o desejo de ser uma grande e popular banda. E conseguiu realizar o feito com bons álbuns e ótimas músicas. Vegetarianismo, virtuosismo e experimentalismos (até certo ponto, que os fãs pudessem entender) sempre fizeram parte dessa “viagem”, mas no caso deste álbum resenhado aqui, o Yes ainda estava em formação, ainda era um “Sim” embrionário com Jon Anderson nos vocais, Chris Squire no baixo, Tony Kaye no teclado, Bill Bruford na bateria e Peter Banks na guitarra. A coletânea Astral Traveller do combo inglês Yes (Sim!, Sim!), reúne onze gravações feitas pelo grupo nos estúdios da BBC de Londres, com faixas dos dois primeiros álbuns: Yes de 1969 e Time and a Word de 1970. Os vocais e os arranjos são sinceramente reais, às vezes até mais rústicos do que a banda gostaria. A surpresinha são as composições inéditas Somethin's Coming e For Everyone. A faixa Dear Father, que consta nesta coletânea, só veria a luz do dia na também coletânea Yesterdays de 1975. Como a política da BBC era “um, dois, três, quarto, gravando” (não era permitido recomeçar), ninguém imaginava que essas fitas seriam cobiçadas no futuro. Em 1969, a banda ainda era muito influenciada pelo estilo psicodélico que ainda mandava na cena e além disso, é preciso citar que a única banda inglesa da época que realmente podia ser considerada “progressiva” era o Nice de Keith Emerson. Esse era o Yes de 1969. Bonzação, enfim. Uma “viagem” astral.

 

 

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CD duplo IGGY POP AND THE STOOGES – Dirty Power – Music Brokers

 

Vamos do início do fim. Antes de falar sobre o “Dirty Power” falaremos sobre o LP Raw Power, que foi lançado após a banda ter encerrado a “carreira”, consumida em drogas e incapacidades gerais. O Power foi uma espécie de carta testamento. A história desse álbum é assim: o cantor-espacial David Bowie convenceu o seu empresário a intimar o vocalista Iggy Pop a reformar os Stooges, pois Bowie era fã dos “patetas”. Como o baixista original Dave Alexander havia dado um tremendo não à reunião, a solução foi transformar o guitarrista Ron Asheton em baixista e convidar James Williamson, um amiguinho de Iggy, para assumir as seis cordas. O resultado dessa união foi avassalador: Raw Power nasceu clássico, por causa de “Search And Destroy” e da faixa título, além da balada mórbida “Gimme Danger”, “Your Pretty Face Is Going To Hell”, o blues (???) “I Need Somebody”, a saltitante “Shake Appeal”, “Penetration” e “Death Trip”, exemplos máximos da tal “força crua” dos “Patetas”. Quando os executivos da CBS ouviram a fita pronta, impediram a prensagem da heresia imediatamente, apesar de um contrato para dois discos, permitindo apenas que o álbum fosse lançado se o próprio Bowie, que havia empenhado a reputação nesse projeto, assumisse a mixagem. Existe uma versão em CD com um logotipo na contracapa com a carinha do Bowie riscada, o que significa que o CD contém a mixagem que os Stooges preferiam. Aqui entre nós, opte SEMPRE pela “visão” do “camaleão” em LP, por mais que certos músicos e experts alardeiem o contrário. Bowie comandou a melhor, a mais suja e desleixada mix já feita, o que confere ao Raw Power, nota máxima em todos os quesitos. Há... e a mix do “camaleão” não é em nada menos suja do que a pretensa mix “perfeita” da banda. Para informar: em 1975, Iggy e o mesmo Williamson começaram a gravar o que seria o quarto trabalho dos Stooges, mas como Iggy desapareceu durante as gravações, o projeto foi abortado e o disco “Kill City” somente foi editado em CD décadas depois. Este “Dirty Power” é um disco duplo com 24 faixas para fãs incluindo algumas dos primeiros discos solos do vocalista Iggy Pop (The Idiot e Lust For Life), mas não é um engodo (além do que foi remasterizado em 24 bit): são ensaios, mixagens diferentes e demais gravações da época do Raw Power (1973 e 1974). Curioso citar que algumas músicas dessa fase já assumiam a cara do futuro CD “Kill City”, menos sujo e mais rock and roll. “Kill City” foi recentemente remixado e remasterizado, mas com uma incrível diferença: parece que foi gravado ONTEM! O som da versão anterior desse CD era abafadaço e com um reverb chatão na voz. Das músicas menos conhecidas dos Stooges há algumas absolutamente essenciais neste “Dirty Power”: “I Got A Right”, uma canção acelerada e raivosa, um rock and roll quase filho do Raw Power chamado “Rubber Legs”, e o blues meio The Doors “Open Up And Bleed”, lindo, lindo. Aviso: “Tight Pants” não passa de “Shake Appeal” do Raw Power original, mas essa versão mais tosca é tão maravilhosa quanto. Sem sustos e abusos.


1969 - The Stooges
1970 - Fun House
1973 - Raw Power
1977 - Kill City & I'm Sick of You (com James Williamson)
1987 - Rubber Legs (fitas e gravação de ensaios entre 73 e 74)
1988 - Live at the Whiskey-A-Go-Go (1973)
1988 - Metallic 2X KO (gravado em 6 de outubro de 1973 e 9 de fevereiro de 1974)

 

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CD (THE BEST OF) THIEVERY CORPORATION – It Takes a Thief - Music Brokers

 

O duo Thievery Corporation (Rob Garza e Eric Hilton) de música eletrônica
instrumental , que trafega entre o trip-hop e o acid jazz, comemora seus 14 anos de produção musical com a nova coletânea It Takes a Thief. O primeiro LP da dupla foi lançado em 1997, juntamente com uma coletânea de artistas de música eletrônica de Washington, capital, com o nome de Dubbed Out in DC. Após assinar com o selo inglês 4AD, arregaçaram as mangas para o segundo trabalho, mas tiveram que adiar o lançamento pelo fato da fita master ter sido roubada. A coletânea Abductions &
Reconstructions foi lançada em 1999, e no ano seguinte The Mirror Conspiracy - com três faixas extraídas desse trabalho para o compilado atual. Em 2002, foi lançado The Richest Man in Babylon (com outras quatro que compõem o CD atual). O álbum Outernational Sound e o EP remix Babylon Rewound surgiram em 2004; mesmo ano no qual a faixa "Lebanese Blonde" da trilha do filme Hora de Voltar ganhou o Grammy. The Cosmic Game de 2005 veio acompanhado de participações muito especiais: o vocalista Perry Farrell; Wayne Coyne dos the Flaming Lips e David Byrne. Em seguida foi lançada uma coletânea de remixes em 2006. Com a proximidade das eleições - lá fora, não a da Dilma! -, Thievery Corporation lançou Radio Retaliation, um trabalho político, em setembro de 2008. Esta coletânea mescla os trabalhos entre 2000 e 2008 com vários convidados. Bacanudo.


Repertório:
Amerimacka apresentando Notch (The Cosmic Game, 2005)
Lebanese Blonde (The Mirror Conspiracy, 2000)
Facing East apresentando Pamela Bricker (The Richest Man In Babylon, 2002)
Holographic Universe (The Cosmic Game, 2005)
Shadows of Ourselves apresentando Lou Lou (The Mirror Conspiracy, 2000)
Sound the Alarm apresentando Sleepy Wonder (Radio Retaliation, 2008)
Until the Morning apresentando Emiliana Torrini (The Richest Man In Babylon, 2002)
Sweet Tides apresentando Lou Lou (Radio Retaliation, 2008)
Satyam Shivam Sundaram (The Cosmic Game, 2005)
All That We Perceive apresentando Pamela Bricker (The Richest Man In Babylon, 2002)
Air Batucada (The Mirror Conspiracy, 2000)
Exilio (Rewound) apresentando Verny Varela (Babylon Rewound, 2004)
Vampires apresentando Femi Kuti (Radio Retaliation, 2008)
Warning Shots apresentando Sleepy Wonder and Gunjan (The Cosmic Game, 2005)
The Richest Man in Babylon apresentando Notch (The Richest Man In Babylon, 2002)
The Passing Stars apresentando Pam Bricker (Various: Causes 1, 2007 – coletânea
de apoio aos Médicos Sem Fronteiras)

 

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DVD SID! – By Those Who Really Knew Them - documentário - 85 minutos - legendas em português – Music Brokers

 


Bem, de onde a gente começa?


De uma frase de Sid: “Quem dá a mínima para amar? Amar é para quem quer morrer.”


Sid Vicious (John Simon Ritchie-Beverly, Londres, 10 de Maio de 1957 — Nova Iorque, 2 de Fevereiro de 1979) é um caso sério: não era músico, mas tocou na banda punk Pistolas Sexuais junto com Joãozinho Podre. Na real, não sabia tocar, era mais um ator; inventou o pogo, a famosa dança punk; usou alfinete na calça e camisas rasgadas e criou um estilo copiado por 100 entre 100 punks. Era um cara que “nasceu para perder”, mas que por motivos kármicos estranhudos, entrou para a história pela porta dos fundos e ganhou a longevidade. O fim da encarnação do sujeito aos 21 anos foi trágico: matou Nancy Spungen, a namorada – uma conhecida viciada em heroína e prostituta - e a decepou no Chelsea, um hotel de quinta em Nova Iorque, após o fim da banda Sex Pistols. Anne Randall, a mãe alcóolatra e traficante lhe dava “substâncias” para ficar doidão, de tanta pena que tinha do filho, que coisa... Outras fontes dizem que Nancy Spungen foi morta por um traficante, e que Sid nada teve a ver com isso, mas enfim... Em um ambiente desses, tanto faz quem mata e quem morre, dá no mesmo. Morrer jovem, grande coisa... Coisa de quem tem medo de crescer. O documentário de Simon Ritchie apresenta entrevistas e depoimentos de Steven Severin do Siouxsie and the Banshees, Jah Wobble do PIL, da estilista Vivien Westwood (da loja SEX de onde vinha as roupas dos New York Dolls), Malcolm McClaren (empresário arteiro dos Pistols), Dave Vanian e Rat Scabies do Damned, Viv Albertine das Slits e outros. Como esse povo conviveu e conheceu a “peça”, nada melhor do que ouvi-los falar. Não há informação realmente nova, ou algum fato inédito durante todas as entrevistas, mas vê-se que os depoentes ainda veem Ricardinho com algum carinho e compaixão, ainda mais após tantos anos – é claro, apesar de toda a estupidez envolvida na história. Em uma das incríveis lembranças, Jah Wobble diz que certa vez, encontrou “Ricardinho” (Ritchie) e a mãe mandando ver no “speed” (anfetamina), apesar do rapaz ser bem inteligente. Após a gravadora pagar 30 mil dólares para libertar Sid por causa da morte de Nancy, ele começou a namorar outra musa do underground, mas também "pegou" Michelle Robinson, a namorada do irmão de Patti Smith. Em uma briga, Sid corta o rosto de Todd, irmão de Pattie, por causa dessa “mulé” e vai em cana de novo. Solto mais uma vez, morre de overdose de heroína após uma festa de libertação promovida pela mãe doidona. Era para SID ter sido enterrado próximo ao túmulo de Karl Marx no cemitério de Highgate em Londres, mas a mãe do “Cidinho” o cremou e perdeu algumas cinzas pelo caminho até que as jogou – segundo disse, a pedido do filho - ao lado do seu eterno amor: Nancy. Termino o texto com uma declaração do empresário Malcolm McClaren, mui sui generis por sinal: “Me acusaram de não ter tomado conta dele, incluindo John Lydon, mas tente lidar com um viciado, especialmente se você não é um. Não há o que fazer. Mas esse é o show business”.

 

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DVD Frank Zappa – The Torture Never Stops – Live at the Palladium, NYC, 1981 – 120 minutos – sem legendas – ST2

 


A Vanguarda Paulista de Zappa.

 

“O crítico da cultura não está satisfeito com a cultura, mas deve unicamente a ela esse seu mal estar”, Theodor Adorno.

 

Não é que não tenha ficado claro antes, mas há certas coisas na vida que precisam de um certo distanciamento para serem analisadas com imparcialidade. O lugar comum
diz que há “música boa e ruim”. Isso é mais ou menos verdade, visto que as classes mais abastadas, que deveriam ter discernimento pois foram pretensamente educadas,
tanto nutrem preconceitos arraigados em relação à música de pobre, como à música mais rebuscada. O mesmo ocorre na internet, que realimenta velhos valores, o que se pode comprovar pelos vídeos mais vistos, que sempre humilham minorias, exatamente
como a música que é mais “gostada”: os mais ouvidos promovem antigos interesses arraigados de “gosto” e “cultura”, assim como várias bandas “novas” que persistem em promover velhos clichês como se fossem novidades. Ou seja, o novo já nasceu velho.
Burrice não é algo exclusivo de uma classe, claro que não. Em sociedades altamente mestiçadas como a carioca, ouve-se funk em coberturas na parte rica da cidade e se vê o povão se esforçando para absorver temas complexos abordados em desfiles de
carnaval. Isso parece bom a princípio, se os interessados entendessem o que fazem. Quando se faz tudo nessa vida pelo “social” e não se usa a mente, quando não se questiona de fato o por quê, nada muda. O gosto se torna uma verdade e toda verdade é fascista. Ouve-se expressões de apreço à “boas épocas” como “antes, a música era melhor” ou “os bons tempos que não voltam mais”. Isso é um tremendo lugar comum. Eu também acredito que o rock e a música pop sofrem de alhzeimer há muito tempo, isso é inegável, mas para seguirmos adiante é necessário desapegar-se do passado ou olhá- lo com consciência crítica, para que possa nascer algo produtivo, evolutivo. Ao assistir o DVD Frank Zappa – The Torture Never Stops – Live at the Palladium, NYC, (1981 - ST2) em primeiro lugar ficou claro que nada do que se faz hoje é “novo”. O multi-músico norteamericano Frank Zappa (21 de Dezembro de 1940 — 4 de Dezembro de 1993 ) sempre foi mais “novo” do que o artista mais alternativo da atualidade, ainda mais quando se contextualiza a questão. Estamos aqui falando de música, algo acima de estilos, gostos e verdades. Música é um organismo vivo e atemporal, porém submetido ao filtro da imprensa oficial e oficiosa, que influencia o público e seus “valores”. A MTV americana transmitiu o concerto do DVD (apresentado agora em versão não editada), baseado no álbum duplo e independente (pelo selo Barking Pumpkin) “You Are What You Is”, gravado na casa de Zappa e lançado um mês antes. Entre as décadas de 70 e início dos 80, um grupo de jovens paulistanos ao ouvir o mesmo Zappa também lançou o seu grito de alerta: VANGUARDA! Não à estagnação! E no Brasil, esses jovens contestadores, críticos, revolucionários tiraram o país do marasmo ao receberem um nome coletivo: vanguarda paulista, o que não agradou a todos. O compositor de vanguarda, Arrigo Barnabé não se sentia confortável no mesmo barco que o Premê, um grupo de humor. Entre os expoentes do movimento estavam o próprio Arrigo, Itamar Assumpção (um gênio morto no esquecimento), grupo Rumo, Premeditando o Breque (Premê) e Língua de Trapo. Se Zappa deu seu berro de Tarzã nos anos 60, os brasileiros deram o seu mais de uma década depois; se Zappa foi considerado pouco comercial – por que tocava música “livre”, que dicotomia! -, os nossos tocavam música não engajada e também não comercial (“enquadrável” é coisa de quartel) em meio à ditadura tropical. Mais semelhanças do que diferenças: primeiro e quarto mundo unidos pela vontade férrea da juventude em fazer a diferença.

 

E o que sobrou em nossa música atual dessa geração tão guerrilheira?


Nada.


“A condição do underground não deixa de ser contraditória, pois a constituição de circuitos alternativos e produções independentes de música não estão de todo fora das malhas da indústria cultural. Ou seja, “na medida em que um artista consegue, através de um esforço e investimento pessoal, garantir um público que torne seu trabalho viável economicamente, cria-se da parte de gravadoras um interesse na incorporação de seu trabalho”. O músico independente passa então a viver “a meio caminho entre a difusão em circuitos paralelos e sua incorporação por grandes empresas””. GUIMARÃES, Antonio Carlos Machado. A “Nova Música” Popular de São Paulo. 1985. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social), Universidade de Campinas-Unicamp, Campinas, 1985.


Nesse período, o rock brasileiro estava (re)nascendo para tornar-se massivo a partir de 1985, enquanto que na mesma época, o grupo Rumo, considerado pela imprensa como um “grupo novo”, tinha meros 12 anos de existência independente. “O esquematismo da produção na indústria cultural e sua subordinação ao
planejamento econômico promovem a fabricação de mercadorias culturais idênticas; pequenos detalhes atuam sempre no sentido de conferir-lhes uma ilusória aura de distinção. A obra de arte, que era anteriormente veículo da idéia, foi completamente dominada pelo detalhe técnico, pelo efeito, substituída pela fórmula”. Márcia T. Dias. Os Donos da Voz. Indústria fonográfica brasileira e a mundialização da cultura. São Paulo: Boitempo, 2000.

 

Frank Zappa e os vanguardistas paulistas lutaram por valores muito semelhantes: contra o imperialismo do american way of life (o Língua de Trapo, apesar de usar elementos estrangeiros em sua música, criticou o próprio rock em canções como Os metaleiros também amam até Como é bom ser punk).

Mas José Adriano Fenerick da USP afirma que quem mais criticou a música de consumo foi Itamar Assumpção: “No CD Pretobrás, a canção Cultura Lira Paulistana, um resumo de toda a crítica da Vanguarda Paulista à decadência do gosto, dá conta que a ditadura militar, ao ter criado as possibilidades da consolidação de uma indústria cultural no país, instaurou a permanência da ditadura no âmbito da produção musical.


A ditadura (censura) passou a ser baseada nas “leis de mercado” impostas por uma indústria cultural cada vez mais globalizada. A cultura (musical brasileira) passou a ser tratada como mercadoria, dificultando a sua difusão para o grande público. A capacidade criadora – que corre riscos sempre, mas não abre não de
testar, de arriscar, de experimentar – cede lugar a um enorme avanço da “tiririca” (o mato que impede que flores desabrochem). Embora a música de consumo não compita diretamente, no mercado, com a música de caráter mais experimental (ou criativa), a impossibilidade, a música popular não consegue deixar de ser mero
entretenimento. É contra isso que Itamar se bate, denunciando, assim, uma nova e talvez mais poderosa forma de censura: a do mercado”.

Zappa lutou pela abolição da censura e pela liberdade de expressão. Bons brasileiros o escutaram, mas infelizmente os atuais brasileiros não sabem, não se interessam. Triste sina a do povo que não tem memória ou miolos. A formação da banda de Zappa neste DVD é o próprio (guitarra, vocal); Ray White (vocal, guitarra); Tommy Mars (teclados, vocal); Scott Thunes (baixo, vocal); Chad Wackerman (bateria); Ed Mann (percussão, vocal); Bobby Martin (teclado, sax, vocal), Steve Vai (guitarra, vocal).

 


Faixas: 1) Black Napkins 2) Montana 3) Easy Meat 4) Beauty Knows No Pain 5) Charlie's Enormous Mouth 6) Fine Girl 7) Teen-Age Wind Harder Than Your Husband 9) Bamboozled By Love 10) We're Turning Again 11) Alien Orifice 12) Flakes 13) Broken Hearts Are For Assholes 14) You Are What You Is 15) Mudd Club 16) The Meek Shall Inherit Nothing 17) Dumb All Over 18) Heavenly Bank Account 19) Suicide Chump 20) Jumbo Go Away 21) Stevie's Spanking 22) The Torture Never Stops 23) Strictly Genteel 24) The Illinois Enema Bandit


Bônus (inclui discografia, DVDgrafia, notas e galeria de fotos): Teen-Age Prostitute (ao vivo), City Of Tiny Lites (ao vivo) e You Are What You Is.


 

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CD Di´Anno – Nomad – ST2

 

Quando esta resenha estiver no ar, talvez o vocalista Paul Di´Anno já esteja trancafiado por ter sonegado algo em torno de 45 mil libras de impostos e por ter recebido seguro desemprego ao alegar de 20002 a 2008 que não poderia trabalhar por ter problemas no nervo ciático.

Cuidado sogrinha, que esse cara é encrenca...

Desde a sua “saída” do Iron Maiden em setembro de 81, o vocalista Paul Di´Anno tém prosseguido com a carreira vivendo mais à sombra do passado do que necessariamente no presente. Não que isso seja um demérito de todo, talvez seja motivado por razões pessoais que não cabem aqui, afinal de contas essa é uma resenha e não uma análise psicológica.
As 11 músicas de "Nomad" (mais a introdução) foram gravadas em São Paulo no início de 2000, como resultado da soma de forças entre o ex -Batlezone Paulo Turim que escreveu as músicas e Paul, as letras. Felipe Andreoli (baixista do Angra) também participou da gravação e da turnê do CD. As composições mesclam a tradição dos tempos do Maiden com arroubos de Pantera, o que confere uma certa modernidade ao trabalho. Em compensação, “War Machine” lembra muito o estilo bumbo duplo e o
jeito “durão” do Judas Priest e em certas lembra-se que há uma sensação de metal melódico no ar.

 

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DVD Velvet Revolver – live in Houston – 78 min – sem legendas – ST2

 


Ainda há espaço para supergrupos como os dos anos 70? Certamente, mas se eles existem é por que o mercado se contorce para atender as próprias necessidades, que precisa constantemente de novidades, mesmo que não sejam “zerinhas” da silva. Um supergrupo é a junção momentânea ou semi-momentânea de músicos renomados de várias bandas para formar um grupo ainda mais renomado e não necessariamente melhor do que as bandas que lhe deram a luz. Um exemplo de um bom e novo
supergrupo que não é melhor do que as bandas “mãe” é o Them Crooked Vultures com Josh Homme dos Queens Of The Stone Age e Dave Grohl dos Foo Fighters. A banda é bem legal, mas repete clichés que nem sempre são usados em suas bandas
originais. Pelo menos, curto o eterno baixista John Paul Jones do Zeppelin se enturmar com tanta gente boa, inclusive com a Diamanda Gálas e gravar boa música. Isso é bem legal.


O Velvet Revolver é uma banda ou um projeto? Na verdade tanto faz pois esses parâmetros entre real e imaginário foram quebrados pela internet, para o bem e para o mal, há pelo menos uma década. Do Guns N' Roses temos Slash, Duff McKagan e Matt Sorum mais o guitarrista Dave Kushner e o vocalista dos Stone Temple Pilots, o
maluquete Scott Weiland. Na teoria poderia dar suco do ‘bão”, mas às vezes dá outra coisa: um bom hard rock mas sem muito sabor e infelizmente no mesmo nível dos fracos discos solo de Slash que não conseguem nem de longe superar as obras que o Guns deixou para a posteridade, goste-se ou não. Parece que falta atrito artístico e não pessoal, pois Weiland é craque em dar problemas, inclusive o maior deles: não ter uma personalidade de palco após tantos anos de estrada. Ele parece com todo mundo, menos com ele mesmo. Nesse quesito, legitimidade e qualidade, o Them Crooked ganha disparado do Revolver, mas sem desmerecer a arma “violeta”, que permanece no hard rock mais “compreensível” e não tão “alternativado”. Weiland se separou da banda em 2008, após o mal sucedido CD Libertad de 2007. Pois é... Filmado em 18 de junho de 2004 (e não em 2005 como diz o encarte) em Houston, Texas, no teatro Verizon Wireless, as cenas flagram a banda em plena excursão de divulgação do seu primeiro álbum Contraband. As músicas deste trabalho são permeadas por pequenas entrevistas dos músicos para o programa Inside Out do canal VH1 – no qual falam que a música superou as dificuldades. Ah, tá... - incluindo um “por trás das cenas” (“bastidores” no popular), com as fotos para a Playboy da “modelo” Irina Voronina vestida em um uniforme nazista. Isso é uma coisa que me incomoda nessas bandas de hard rock: a estética machão e sexista desenfreada entremeada com solos de guitarra e tatuagens de caveira. Deus meu... O DVD ainda conta com alguns faixas de suas bandas matrizes: Guns 'n' Roses e Stone Temple Pilots para não deixar o público muito tresloucado, ou para tresloucar mesmo. O show gravado em DV, anamórfico 1.78:1 (ideal para que as telas de 16:9 não sejam subutilizadas) é de boa qualidade com uma mixagem em um bom 5.1 surround, mas que treme as paredes com "Sucker Train Blues", "Do It for the Kids","Headspace", "Crackerman", "Illegal I", "It's So Easy", "Fall to Pieces", "Big Machine"
"Set Me Free", "Used to Love Her" (acústica), "Slither" (o sucesso da banda) e "Sex Type Thing".

 

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DVD Bee Gees – In Our Own Time – 116 min – com legendas e DVD One Night Only – 143 minutos – sem legendas – ST2

 

Hoje, muitos se recordam dos Bee Gees apenas pelo filme de 1977 com John Travolta, “Embalos de Sábado à Noite” (quem esquece Stayin Alive, How Deep Is Yor Love, Night Fever e More Than A Woman com todas aquelas vozes agudinhas?), até mesmo pelas 15 milhões de cópias vendidas, mas a carreira de Barry, Robin e
Maurice Gibb vem de antes, dos anos 60, saídos da Austrália para uma carreira internacional na Inglaterra. As entrevistas com Maurice Gibb, feitas antes de sua morte em 2003, mostram um detalhe pouco conhecido: era ele o cérebro do trio Bee Gee.
Instrumentalmente, Maurice era a figura principal, aquele que tocava e arranjava, enquanto Barry e Robin Gibb lideravam as vocalizações. In Our Own Time compila várias apresentações e tece maiores comentários sobre a morte do irmão mais novo,
Andy Gibb viciado em drogas, e falecido prematuramente em 1988. One Night Only , gravado para um especial de TV em 1997 traz 31 canções apresentadas no MGM Grand em Las Vegas, apresentação essa que seria o último show do grupo por causa da artrite de Barry. As composições, de três décadas, ouvidas agora em 2011,
estão ainda mais vivas e interessantes, mais do que nunca, como na época em que foram gravadas. E antes que alguém pergunte, o repertório não fica só na discoteca – ótima, por sinal - e inclui sucessos dos anos 60 como Massachusetts, To Love
Somebody e Lonely Days, ainda muito influenciadas pelos Beatles e pelo pop inglês sessentista. (Our Love) Don't Throw It All Away é cantada em homenagem ao irmão
Andy, morto quase uma década antes, com a projeção de um filme e é tocado o áudio do irmão mais jovem a cantado, reunindo o quarteto mais uma vez, mesmo que virtualmente. Outra surpresa é Céline Dion, a convidada de honra na canção Immortality.


Verdade seja dita: os Bee Gees alcançaram um sucesso inacreditável por criarem uma música tão própria e dançante, que ninguém lhes fez sombra no mesmo território. Comprova-se que qualidade também rima com oportunismo e talento. Repertório One Night Only: "You Should be Dancing", "Alone", "Massachusetts", "To Love Somebody", "I've Gotta Get a Message to You", "Words", "Closer Than Close","Islands in the Stream", "One", "Our Love (Don't Throw it All Away)", "Night Fever","More Than a Woman", "Still Waters", "Lonely Days", "Morning of My Life", "New York Mining Disaster 1941", "Too Much Heaven", "I Can't See Nobody", "Run to Me", "And the Sun Will Shine", "Nights On Broadway", "How Can You Mend a Broken Heart"
"Heartbreaker", "Guilty", "Immortality", "Tragedy", "I Started a Joke", "Grease", "Jive Talkin'", "How Deep is Your Love", "Stayin' Alive" e "You Should be Dancing".

 

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DVD Phil Collins – Going Back – Live at Roseland Ballroom, NYC – 126 minutos – legendado – ST2

 

Collins é um cara que sabe das coisas. Na resenha sobre a caixa tripla de rock progressivo, citei que me entendi mais com a fase oitentista das bandas progs setentistas, porque à época me interessava o novo e não a “celebração ao mesmo”. Se era melhor ou pior, cabe a cada um julgar, conformes as necessidades. Acrescento que o primeiro show de rock que vi na vida foi o Genesis – ainda progressivão – no Maracanãzinho no Rio com Phil Collins barbudo, cabeludo careca e de chinelos, tocando bateria e cantando exatamente com o mesmo timbre do vocalista anterior,
Peter Gabriel. Assim fui desvirginado.

Depois de três décadas, fica ainda mais claro, que Collins é um grande artista. Ninguém duvida disso, mas é sempre bom lembrar. A
ideia deste show gravado no Roseland Ballroom em Nova Iorque é relembrar os velhos clássicos da música negra. As duas horas de apresentação do álbum “Going Back” de Phil Collins, recriam os eternos clássicos da Motown. A banda de apoio com 18 músicos inclui três músicos da banda de apoio original da gravadora, os Funk
Brothers: o baixista Bob Babbitt e os guitarristas Eddie Willis e Ray Monette, assim como duas feras do Genesis: o baterista Chester Thompson e o guitarrista Darryl Stuermer. O repertório conta com: Signed, Sealed, Delivered; Ain't Too Proud To Beg; Girl (Why You Wanna Make Me Blue); Dancing In The Street; (Love Is Like A)
Heatwave; Papa Was A Rollin' Stone; Never Dreamed You'd Leave In Summer; Jimmy Mack; You've Been Cheating; Do I Love You; Loving You Is Sweeter Than Ever; Going To A Go-Go; Blame It On The Sun; Ain't That Peculiar; Too Many Fish In The
Sea; You've Really Got A Hold On Me; Something About You; The Tears Of A Clown; Nowhere To Run; In My Lonely Room; Take Me In Your Arms, Rock Me A Little While;
Uptight (Everything's Alright); Going Back; Talking About My Baby; You Can't Hurry Love e a indefectível My Girl.

 

 

 

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DVD Michael McDonald – This Christmas – Live in Chicago – 85 minutos – sem legendas – ST2

 



O cantor americano Michael McDonald de "What a Fool Believes" de 1980 é um boa praça: após as regravações de clássicos da Motown (ler também a resenha de Phil Collins) e três CDs com músicas de natal, MM surge com This Christmas gravado em 2009 com uma banda composta por 9 músicos que, como o nome do DVD deixa claro, toca canções natalinas. De quebra, o DVD inclui uma dupla de canções dos Doobie Brothers, banda na qual McDonald tocou teclado. Os destaques são a jazzística Every Time Christmas Comes Around; o bom piano na natalina On This Night; This Christmas; o reggae/gospel Come, O Come Emanuel/What Month Was Jesus Born; Christmas On The Bayou e I’ll Be Home For Christmas. A vocalista Drea Rhenee se une a McDonald para interpreter a traditional Wexford Carol, antes de tocarem a canção escrita por Stevie Wonder: That’s What Christmas Means To Me. Com um
ukulele MM toca Have Yourself A Merry Little Christmas, a canção que Judy Garland eternizou. As sempre ressurgentes White Christmas/Winter Wonderland não poderiam ficar de fora até a finalização com Minute By Minute, What A Fool Believes e Takin’ It To The Streets. Hallelujah fecha com chave de ouro.

 

 

 

 

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DVD INXS – Mystify – Rockpalast – 105 minutos – sem legendas – ST2


Este concerto da banda pop australiana INXS (junto com o Simple Minds), gravado no Festival de Loreley Festival na Alemanha para a famosa série de TV, Rockpalast em 21 de junho de 1997, mostra que a banda faz falta na cena mundial. A gravação ocorreu cinco meses antes da trágica morte do vocalista Michael Hutchence em 22 de novembro. O DVD de 80 minutos conta com faixas selecionadas dos seus quatro álbuns, o mais bem sucedido deles, o Kick de 1987, mas Mystify faz parte da excursão do álbum Elegantly Wasted que foi lançado alguns meses antes deste show. São 6 faixas desse e outras 6 do Kick, incluindo algo do Listen Like Thieves de 1985, e nada do Full Moon, Dirty Hearts de 1993. Após uma hora de show, a apresentação fecha com o seu primeiro suceso entre as cinco mais: What You Need, antes de retornarem ao palco para mais três canções. Quando escrevo sobre o INXS não falo sobre nostalgia, mas sim sobre a qualidade do material, que apesar dos anos, permanece de prima: o que é bom, persiste, permanece, é perene. INXS é classe A. Repertório: Elegantly Wasted; New Sensation; Taste It; Just A Man; Heaven Sent; Searching; Disappear; Never Tear Us Apart; Everything; Need You Tonight; Bitter Tears; Girl On Fire; Kick; Devil Inside; What You Need; Don’t Lose Your Head; Mystify e Suicide Blonde. Os 26 minutos das seis faixas bônus (Just Keep Walking; The One Thing; I Send A Message; Original Sin; Don’t Change e Stay Young) são da primeira apresentação da banda no programa Rockpalast em Hamburg em 8 de maio de 1984.

 

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DVD e CD Heaven & Hell – Neon Nights – Live at Wacken – 150 minutos – legendas em português – ST2

 


O vocalista Dio, que já está no céu desde maio de 2010, deixou um bonito trabalho na Terra, sem dúvidas. Heaven & Hell, que na verdade é o Black Sabbath da fase Dio sem o nome original, surgiu para manter acesa a chama da tradição da própria marca criada por Ronnie James Dio, o guitarista Tony Iommi, o baixista Geezer Butler e o baterista Vinny Appice em 2006. 5 anos após o início da saga “O Retorno”, a ST2 lança esse DVD com imagem e som espetaculares. Poucas vezes ouvi uma mixagem
com um trabalho de divisão de frequências tão cuidadoso, apesar que nem isso evita todas as frequentes imperfeições que uma gravação ao vivo comporta, é evidente. O DVD Neon Nights foi gravado no famoso festival alemão de metal Wacken em 2009. Eles tocaram na ocasião várias faixas do recente álbum “The Devil You Know” mais os indefectíveis clássicos do eterno Sabbath fase Dio (Children of the Sea, Heaven and Hell e Die Young). Faixas mais recentes como Fear e Follow The Tears, mescladas à faixas de álbuns anteriores como I e Track Machine, que arrepiam até a mais gélida criatura. Mesmo doente, o baixinho segura a onda e escolhe os momentos cruciais para soltar a voz, antes que o próprio DIO o levasse
para cantar em melhor e mais iluminado local, sem as mazelas físicas.

 

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DVD e CD Twisted Sister – Live at Wacken - 110 minutos – sem legendas – ST2

 

O Twister Sister (as irmãs tortas ou safadas em tradução livre) é uma banda heavy- glam nova-iorquina, que no final dos 70, início dos 80, provou que ainda havia espaço para ser sério e irônico ao mesmo tempo, sem ferir suscetibilidades. Seu primeiro
álbum “Under the Blade”, com produção do baixista do UFO, Pete Way em 1982, fez história. Eles cantaram aos quatro ventos, “Ninguém Pode Matar o Rock And Roll”!, até o amargo término, pontuado por acusações, em 1987. No novo século, em que diversas bandas de metal oitentista estão fazendo tournês com músicas e cenários antigos, o Twisted também tem o direito de voltar e o fez bem. O Twisted Sister foi uma das mais queridas bandas daquela época e alcançou em um período, um sucesso avassalador. O DVD ao vivo gravado no festival alemão Wacken em 2003, para 40 mil espectadores, já havia sido lançado, mas agora o pacotão da alegria com CD e DVD retorna em boa hora, com melhor distribuição, quando a banda já se fez presente ao vivo no país. O relançamento desse show é uma grata surpresa para os fãs, que merecem conhecer o poder de fogo dos latinos pintados com batom, que retornaram para regravar um álbum antigo, o Stay Hungry, cujos bastidores são exibidos no DVD. (Mas há que se puxar a orelha dos sujeitos, pois o resultado da regravação deste ótimo álbum não alcançou o resultado esperado.) O DVD conta com uma social entrevista na qual ninguém mete o dedo na cara de ninguém e as velhas diferenças são deixadas de lado. A formação é Jay Jay French na guitarra, Mark Mendoza no baixo, Dee Snider nos vocais, Eddie Ojeda na guitarra e o grande AJ Pero na bateria. O CD contém trechos de 4 shows ocorridos em Detroit, Michigan, Portchester e Nova Iorque em 1980, Londres em dezembro de 1982 e o Wacken em 2003.

 

 


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CD duplo Edgar and Johnny Winter – The Brothers Winter – (CD duplo) ST2

 

Essa dupla de albinos arrasa desde priscas eras, como já disse Maomé. (Será que ele disse isso mesmo? Eu hein!) Após gravar com o irmão Johnny, Edgar Winter prosseguiu sozinho a partir de 1970 em um caminho menos blues, mais soul e pop, mas também com grande interesse do público, principalmente pelos primeiros álbuns Entrance e White Trash, apesar que o seu grande sucesso foi mesmo com o The Edgar Winter Group tocando com figuraças como Dan Hartman, Ronnie Montrose e Chuck Ruff. Com essa formação, Edgar gravou o meu disco favorite dele (They Only Come Out At Night) com a instrumental avassaladora “Frankenstein” que alcançou um
inusitado primeiro lugar nas paradas. Johnny Winter nem precisa falar nada: é um dos grandes guitarristas do hard blues (meu irmão ouvia o LP Second Winter de 1969 até furar!), com uma carreira cheia de sucessos (ou melhor dizendo, “versões” aditivadas) que o sustenta até hoje, apesar que só o “deixaram” entrar no Blues Foundation Hall Of Fame, tardiamente. Os dois CDs desse The Brothers Winter, um para cada irmão, são como partes diferentes da mesma moeda, lados opostos da MESMA deliciosa maçã. Se o ouvinte é um pouquito conservador, terá a tendência de amar o CD de Johnny por causa dos solinhos, de um som mais clássico e fará cara feia para o de Edgar, mas um não exclui o outro, se completam, se complementam. E cá entre nós, a música não é boa por que é “de raiz” ou “clássica”, a música é boa porque é de classe, faz bem à alma, à mente e ao corpo. Quem exclui os pés, certamente não tem cabeça. É por aí.


CD1 – Edgar Winter


1.Hoochie Coo, 2.The Real Deal, 3.We Can Win, 4.Good Ol’ Rock`N Roll, 5.Give Me The Will, 6.Nitty Gritty
7.Eye Of The Storm, 8.Sanctuary, 9.Hot, Passionate Love, 10.The Music Is You, 11.What Do I Tell My Heart


CD2 – Johnny Winter


1.Instrumental, 2.Should Have Quit Ya Baby, 3.E.Z Rider, 4.Catfish Blues, 5.One Step At A Time, 6.Johnny B Goode, 7.Stranger, 8.Highway 61 Revisited, 9.She Moves Me Man, 10.Jumpin Jack Flash, 11.It’s All Over Now
12.Crawl

 

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CD Willie Nelson – Backtracks – ST2

 

Para os que conhecem a obra de Willie Nelson, o velho Red Headed Stranger (apelido nascido de um LP de 75 que fez muito sucesso) este CD contém algumas faixas pouco familiares aos fãs. São 7 versões demo de canções da época da RCA. Esses registros do início da carreira de Willie Nelson são vilipendiados por alguns críticos musicais, não por que sejam ruins, longe disso, mas por causa da produção mais “suavizada” estilo Nashville, que sabe-se não é do gosto de Nelson. O maior mérito de
BACKTRACKS é a raridade das faixas, inéditas, de fontes variadas, algumas das quais contam com outros vocalistas cantando composições de Nelson. Apesar desse material não exibir o potencial vocal e a pegada do violão do homem mais perigoso do country (juntamente com Johnny Cash) que se desenvolveria a contento nos anos seguintes, ainda assim, este CD é uma importante porta de entrada para a obra do mestre. O texto do encarte foi escrito por Stephen Thomas Erlewine, editor sênior do Allmusic..

 

 

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